Mudando o foco!

 

Queridos amigos, nosso objetivo é desempenhar um trabalho dinâmico, enriquecedor, de construção conjunta do conhecimento. Para isto, separamos a temática da escravidão para estudarmos juntos, por ser um tema bem rico e que ainda possui muitos mitos dentro da comunidade escolar, embora haja muitos estudos que propõe analisar o passado buscando entender sobre quais mecanismos a escravidão pode se dar no Brasil de forma peculiar.

Para tal segue uma pergunta que irá nortear toda nossa problemática. A escravidão só foi possível devido seu caráter violento e repressor? Ou havia outros mecanismos de controle e abrandamento do sistema, capaz de proporcionar negociação entre Senhores e Escravos?

Sabemos que no Brasil houve  longos séculos de escravidão. E na maioria das vezes quando falamos neste assunto, lembramos de todo sofrimento e condição da qual as pessoas escravizadas foram submetidas.

Contudo, propomos mudar o foco e olhar como estas pessoas resistiram o quanto puderam a este sistema, seja resignificando as práticas ou lutando abertamente, fugindo, por exemplo, para se ver livre da condição de escravo.

Diante disto,  vamos analisar trechos de documentos.

DOCUMENTO I:

As coisas iam de mal a pior e estava muito ansioso para trocar de senhor, então tentei fugir mas logo fui apanhado, atado e restituído a ele. Em seguida, tentei ver o que aconteceria se fosse desleal e indolente.

DOCUMENTO II:

Os três homens me agarraram e me prenderam de bruços sobre o canhão; foram ordenados a me açoitar, o que fizeram com bastante diligência; ele então exigiu que eu me submetesse  e lhe implorasse por misericórdia, mas isso eu não faria. Eu   disse a ele para me matar se assim o quisesse, mas por misericórdia em suas mãos eu não iria implorar! Também lhe disse que quando me desatassem do canhão, ele deveria  se cuidar; naquele dia, enquanto examinava meu corpo dilacerado sangrando, refleti que, embora estivesse machucado e despedaçado, meu coração não estava subjugado.

  • Analise os dois fragmentos à cima, pontue as formas de resistência contida em cada documento, em seguida, explique o teor do termo subjugado no Documento II e o que ele quer dizer, se pensarmos na questão norteadora de construção de conhecimento do nosso estudo?

DOCUMENTO III:

Meu Senhor, nós queremos paz e não queremos guerra; se o senhor também quiser nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar pelo que nós quisermos saber.

Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós não tirando um destes dias por causa  do dia santo. (…)

Faça uma barca grande para quando for para a Bahia nós metermos as nossas cargas para não  pagarmos fretes.

DOCUMENTO IV1

  • O Documento III foi proposto a Manuel da Silva Ferreira em 1789, nele mostra nos o esforço de negociação dos escravos, já que é um documento fabricado por tais atores . Ele rompe com a idéia de escravo coisificado, passivo. É sabido que as duas representações  (Documento III e IV) são diferentes no espaço e no tempo, contudo há elementos que convergem. Analise cuidadosamente e levante questões que possa dialogar com os dois documentos fornecidos.

Fontes:

Documento I e II: Revista Brasileira de História – São Paulo, ANPUH/Marco Zero, vol.8, nº 16, março de 1988/agosto de 1988.Escravidão. Número especial. Organizado por Silvia Hunold Lara, Universidade Estadual de Campinas. Pág. 269 a 284. Trechos da Biografia de Mahommah G. Baquaqua.Este documento foi encontrado  por Peter Eisenberg

Documento III: Tratado proposto a Manuel da Silva Ferreira, pelos seus escravos durante o tempo em que se conservaram levantados (c.1789) [Engenho de Santana, Recôncavo da Bahia, séc. XVIII].

Documento com atualização ortográfica. Este documento foi encontrado em arquivos portugueses e publicado originalmente em: SCHWARTZ, Stuart B. “Resistance and Accommodation in Eighteenth-Century Brazil: The Slaves view of Slavery”. HISPANIC AMERICAN HISTORICAL REVIEW, Vol. 57, número 1, PP. 69-81.

DocumentoIV: http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/01/atuacao-dos-escravos-de-ganho-na.htm